Tipo de publicação: Artigos

TRANSVERSALIDADE E MULTIDIMENSIONALIDADE COMO FOCO DA AÇÃO TERRITORIAL: A Experiência de Rafaela na Argentina e o Projeto Propat no Brasil

A transversalidade é entendida como a ação territorial que tem a capacidade de integrar diferentes dimensões ou perspectivas disciplinares de forma horizontal. Por outro lado, o princípio da multidimensionalidade remete-nos ao reconhecimento da complexidade e diversidade do mundo que nos cerca, como uma realidade composta por múltiplas dimensões inter-relacionadas. Tais princípios são fundamentais para orientar de forma mais efetiva toda a ação que ocorra num contexto complexo e multidimensional, como os territórios, regiões ou municípios. Reflete-se sobre estas temáticas a partir do relato e da análise de duas experiências: a primeira referindo-se ao processo de acompanhamento por meio da investigação-ação em mudança organizacional no município de Rafaela, na Argentina; a segunda um processo coletivo de estudo e investigação relacionado ao Projeto ProPAT, no Brasil, no qual propõe-se um referencial metodológico a ser utilizado na elaboração de diagnósticos territoriais que favoreçam a prospecção de alternativas inovadoras e sustentáveis de desenvolvimento, tendo o patrimônio territorial como referência. Metodo-logicamente, o texto resulta, no caso de Rafaela, de registros da memória dos processos, elaboração de metodologias para aplicação em campo e entrevistas com atores-chave e de estudos teóricos e proposição de referenciais metodo-lógicos, conforme está registrado em publicações já realizadas no caso da experiência do ProPAT. Enfim, este texto reflete, um primeiro passo, em troca de aprendizados de caráter ontológico-epistemológico-teórico-metodológico sobre processos de facilitação ou ação territorial entre comunidades de pesquisadores, com o propósito de criar conexões e fortalecer vínculos com vistas à futuras parcerias

Publicado em 12/04/2026
O GIRO TERRITORIAL E OS USOS FORTES E FRACOS DA ASSOCIAÇÃO ENTRE TERRITÓRIO E POLÍTICAS PÚBLICAS

Uma das principais inovações no panorama das políticas públicas no Brasil e na América Latina na virada para o século 21 foi a introdução da abordagem territorial no repertório da burocracia governamental. Esse giro ou virada territorial nem sempre veio acompanhado de uma reflexão sobre a natureza dos processos territoriais que deveriam ser levados em conta pelos investimentos e incentivos praticados pelo Estado. Não seria mesmo exagero afirmar que houve, simultaneamente à sua disseminação, certa banalização no uso da abordagem territorial. Muitas vezes os territórios são tomados, passivamente, apenas como lugar de incidência das políticas, como um espaço plano no qual depositam-se recursos e se aplicam ações públicas ou privadas. O objetivo deste artigo é oferecer uma leitura crítica sobre os significados da associação entre território e políticas públicas e mostrar de que maneiras ela vem sendo experimentada. Para isso, a primeira seção do artigo é voltada a demonstrar que território é uma categoria síntese que tem como um de seus principais trunfos permitir abordar como ali concretizam-se diferentes dimensões e processos multiescalares. A segunda seção é dedicada a evidenciar como as teorias sobre desenvolvimento resgatam essa categoria síntese para sugerir a necessidade de políticas territoriais. Na última seção há um esboço de tipologia de como essa tradução pelo campo das políticas públicas vem sendo experimentada, com usos fortes e fracos do adjetivo territorial

Publicado em 12/04/2026
ABORDAGEM TERRITORIAL DO DESENVOLVIMENTO: CATEGORIAS CONCEITUAIS E PRESSUPOSTOS METODOLÓGICOS

O presente texto, na forma de ensaio teórico, resume as principais concepções epistêmico- teórico-metodológicas que tenham convergência com a abordagem territorial do desenvolvimento, recorrendo às publicações que tratam dos estudos territoriais, para, na sequência, fazer referência aos métodos de abordagem e de procedimento. Deu-se destaque aos indicativos constantes na literatura consultada que se fundamentassem, em especial, em quatro campos epistêmicos: a nova teoria dos sistemas, a teoria da complexidade, o materialismo histórico-dialético e a perspectiva da decolonialidade e do descentramento. Como resultado, das concepções epistêmico-teórico-metodológicas constantes nas publicações, depreende-se: (i) o indicativo de que a abordagem territorial se sustente na categoria conceitual território, seguindo a acepção proclamada por autores, tais como, Raffestin, Brunet, Ferras e Théry, Saquet e Pecqueur; (ii) que a abordagem territorial precisa assumir a categoria conceitual desenvolvimento territorial, como um novo paradigma científico multidisciplinar que permite abarcar a pluralidade de interesses prospecções presentes no território, compreendendo integradamente suas múltiplas dimensões; (iii) que, decorrente disso, urge avançar na adoção de abordagens e procedimentos metodológicos que, necessariamente, convirjam com a abordagem territorial do desenvolvimento. Entende-se que o texto traz algumas contribuições importantes, no entanto, não esgota o tema, deixando espaço para novas interpretações.

Publicado em 12/04/2026